Ativismo digital

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Petições online: prós e contras

Exercer pressão por meio de cartas enviadas a governos e outras autoridades é um recurso de ativismo que já mostrou muitos resultados positivos, como pode comprovar a Anistia Internacional, que deu início a essa prática em 1961. Com o tempo, a pressão das cartas e cartões postais foi sendo combinada com a de telegramas, faxes e e-mails.

cartas-mundo2As mensagens da organização de direitos humanos são enviadas diretamente para autoridades de diversos níveis e também para as próprias vítimas e seus familiares, a fim de lhes oferecer algum apoio, conforto e esperança. Neste século, quando poucos ainda escrevem em papel, a Anistia transpôs com sucesso esse ativismo para o mundo da internet e dos dispositivos móveis, enquanto muitas outras organizações ativistas passaram a adotar práticas similares.

 

O termo petição vem do direito e se refere a um pedido, oral ou escrito, dirigido a algum órgão ou autoridade, buscando remédio para determinada situação. Pode se referir também a uma causa jurídica que leva a um processo num tribunal, sem relação direta com qualquer ativismo.

Nos últimos 10 anos, vimos o surgimento de diversas organizações e sites especializados num tipo de ativismo pela internet que usa abaixo-assinados, também chamados de petições, para fazer pressão sobre certos temas, alguns mais, outros menos pontuais. São organizações como Avaaz e Change.org, que buscam pressionar outras entidades, geralmente políticas, como o Congresso brasileiro. Mais recentemente, a Casa Branca também lançou o ‘We The People’, seu espaço ‘democrático’ para peticionar o próprio governo dos EUA. slaktivism

Existem várias formas de ativismo digital e grande parte delas funciona muito bem, sobretudo quando divulga informações, facilita denúncias e, de certo modo, consegue alguma união das pessoas. Uma das formas de ação na internet é a coleta de assinaturas digitais, que tem se tornado tão popular quanto polêmica.

Questiona-se, entre outras coisas, o uso que essas organizações fazem dos dados pessoais dos usuários, vendendo-os ou compartilhando-os com serviços de inteligência estatais ou privados. Principalmente, há muitas dúvidas quanto à real eficácia dessas ações. Assinaturas digitais têm validade legal? Que ‘assinaturas’ são entregues a quem? Existem resultados concretos? Estariam essas ações online criando uma ilusão de participação ao mesmo tempo em que esvaziam outras formas mais diretas e eficazes de ação? E se as milhares de assinaturas coletadas forem contrárias aos nossos interesses?

escreva-por-direitosQuando dedicamos nosso tempo à escrita de uma carta, cartão ou e-mail para ajudar alguém, criamos todo um mundo de boas intenções que vai além do papel ou da tela do computador. Num nível sutil, fazemos diferença na nossa vida e na vida dos outros. Mas buscamos também resultados concretos? Como?

Para nos ajudar a refletir sobre isso, podemos compartilhar nossas experiências e opiniões. Você já usou estes sites e ações? O que sabe sobre eles? Em que casos concretos os abaixo-assinados online deram resultado? Você vê algum motivo para questionar essa prática? Há diferença entre os sites ou eles são todos iguais?

Deixe sua contribuição nos comentários do grupo. Assim, podemos avaliar melhor que atitudes tomar para alcançar as mudanças que queremos.